Gabriel Silva do Blasfémias apoia o ministro das Finanças alemão Peer Steinbruck que pensa que sim: os Estados estão a cometer o erro do endividamento que esteve na origem desta crise.
O endividamento do Estado não coloca os mesmos problemas que o endividamento do sector privado:
- É mais fácil de corrigir - com inflação i.e redução do poder de compra do país ou aumento de impostos i.e poupança forçada das famílias e empresas.
Se o problema hoje do mundo ocidental fosse o excesso de endividamento do Estado - afinal o agente económico menos endividado apesar de andarmos há décadas a falar do défice público - estaríamos muito mais confortáveis.
- Do ponto de vista financeiro, a presença do Estado no mercado de crédito é, neste momento, um dos únicos instrumentos para manter esse mercado a funcionar e, como tal, a actividade económica.
As economias actuais - empresas e famílias - não funcionam sem crédito. E isso não é negativo, pelo contrário, permite colocar aforradores e investidores - procura e oferta de financiamento - facilmente em contacto. Viabilizaram-se assim muitos projectos/ideias que de outra forma nunca existiriam (este espaço é um deles). As famílias anteciparam consumos em função do seu rendimento permanente ( a função consumo dependente do rendimento permanente e não do disponível, uma ideia de Milton Friedman). O problema não foi o crédito mas sim uma deficiente avaliação dos riscos feita pelo financiador, os bancos.
- Do ponto de vista económico, a ausência do Estado neste momento como motor financeiro da economia (endividando-se) lançaria os países para o colapso social e político. Viveríamos falências e desemprego em níveis inimagináveis.
Obviamente que as escolhas dependem da curva de preferências de cada um.
Eu prefiro ter um longo prazo com mais inflação - neste momento a ameaça parece ser de deflação, pelo menos nos Estados Unidos - que um curto prazo de caos social e político que ninguém consegue prever como acabaria.