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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O Deutsche Bank, Portugal e a União Bancária

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O meu artigo no Observador:
Se o Deutsche Bank não conseguir resolver os problemas pelos seus próprios meios, a intervenção do Estado alemão será inevitável. É aí que teremos o grande teste às regras de resolução já aplicadas em Portugal duas vezes, uma no BES outra no Banif. Do ponto de vista económico-financeiro é óbvio que o Deutsche é grande demais para se “resolver”, mas na arquitectura do euro, uma construção feita de nações, a excepção será incompreendida. A história vai repetir-se? 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

BCP, a primeira ajuda pública

O BCP vai receber três mil milhões de euros sob a forma de empréstimo público e  planeia começar a devolver o empréstimo público a partir de 2014.


Além dos 3 mil milhões de euros a realizar com instrumentos híbridos, está consagrado um aumento de capital de 500 milhões de euros destinada a accionistas mas que o Estado tomará firne a 4 cêntimos por acção e a realizar durante o segundo semestre de 2012
Informação em estado bruto: O plano de recapitalização do Millennium bcp

(actualizado às 16:00)

sábado, 31 de outubro de 2009

O BCP... outra vez

O BCP é - ou tem de ser - um banco muito forte para aguentar tantos abalos.

Com tudo o que já se sabe na aldeia portuguesa, deve o vice-presidente do BCP Armando Vara manter-se na administração do banco ou deveria suspender o mandato - por sua iniciativa ou por decisão do Conselho Geral e de Supervisão - até que se esclareça o seu envolvimento na "Operação Face Oculta"?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Mais uns dias de silêncio...
Que espero não voltar a repetir. Pelo menos com esta fequência.

Hoje é mais um dia de turbulência na banca

O Banco Privado Português alvo de buscas por causa de operações financeiras com 'off-shores'. A ordem partiu, aparentemente, da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários.

Dias Loureiro esta neste momento no Parlamento por causa do Banco Português de Negócios.

O BCP está no centro de muito diz que disse por causa da fragilidade da sua estrutura accionista.

E obviamente, o 'Caso Freeport' com todo o seu nevoeiro informativo.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Presidente do BCP em entrevista na RTP

O presidente do BCP deu uma entrevista à RTP - não consigo encontrar o vídeo online.

ACTUALIZAÇÃO - o vídeo pode ser visto aqui
De memória:
Carlos Santos Ferreia afirma que a banca portuguesa não terá problemas, que já terá sido tudo escrutinado pelos bancos e pelas autoridades, que não há planos de contigênia e que em princípio a banca já fez o que tinha a fazer para enfrentar os tempos que correm e ainda que a liquidez está a ser gerida com extrema cautela e sem cortes cegos no crédito.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Crise do BCP segundo Teixeira Pinto e Jardim Gonçalves

Paulo Teixeira Pinto no Parlamento:

Perdão de dívidas a filho de Jardim Gonçalves Goes Ferreira: "Nunca foi chamado à minha atenção por terem decorrido em período anterior ao meu mandato. Nunca tive qualquer intervenção nesses dois processos".
Financiamento para compra de acções próprias: Teixeira Pinto diz que proibiu essas operações. "Por princípio não concordo com financiamento para comprar acções do banco".
Pequenos accionistas: nunca teria feito a campanha para atrair pequenos accionistas se fosse presidente. "O próprio conselho de administração da altura, se soubesse o que se sabe hoje, teria feito de forma diferente". (...)"Conseguiram resolver-se uma quantas situações".
Financiamento de off-shores: "Não tenho presente, quase estou em condições de garantir, não houve nenhuma decisão sobre financiamento a 'off-shores' no tempo em que assisti às reuniões da administração na qualidade de secretário da sociedade" (...)"Seguramente esse tipo de decisão não consta de nenhuma acta de reuniões a que eu tenha presidido".

Jardim Gonçalves no Parlamento (à tarde):
Perdão de dívidas ao filho: "Todo esse mundo de decisão de crédito, seja a quem for – empresas ou particulares – era algo que passava pelos serviços do banco. Ninguém tinha poder para, individualmente, decidir créditos".(...)"Se houve uma ou outra empresa que falhou, que não estava na lista, eu não tenho nada a ver com isso". "nunca tive intenção de esconder o que quer que fosse de um familiar meu"
Financiamento para compra de acções próprias:
Pequenos accionistas: "O banco nunca enganou ninguém" (...) "Muitos clientes gostaram porque lhes deu bom dinheiro durante anos". A campanha "vantagem accionista" teve como objectivo "persuadir e isso não é obrigar (...) e cada um decide por si, as pessoas são maiores de idade". "Essa figura de pequenos accionistas com problemas não existe (...) há é clientes que podem, num determinado momento, ter um problema que tem de ser analisado pelo banco"
Financiamento de off-shores: Recusou falar no assunto por estar sob investigação. Se há mais off-shores, disse, tem de se esperar pelas investigações.

Saudades do que nunca tivémos, comissões de inquérito parlamentar à americana, com consequências e questões difíceis de responder.
Ninguém sabia de nada. O que, acreditando na palavra dos banqueiros que estiveram á frente do maior banco privado português, é muito grave. Entre saberem o que se afirma que fizeram e não saberem, não sei de facto o que é mais grave.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Mais 1,3 mil milhões para o BCP

O aumento de capital do BCP aí está: 1,3 mil milhões de euros. Para melhorar os rácios de solidez.

Vale ainda a pena ver este documento sobre os resultados do BCP.
A rendibilidade dos capitais próprios caiu para pouco mais de metade, de 22% em 2006 para 13,7% em 2007.

As eventuais perdas parecem estar, como se previa, na situação líquida.

BCP com um capítulo encerrado

Hoje encerra-se um capítulo na história da crise de mais de um ano do BCP. Pode ainda não ser o fim da história, ainda que a tentação de enterrar todo o passado seja bem grande, conhecendo como conhecemos este país.

Santos Ferreira que hoje apresentou as contas de 2007 assinadas por si com as reservas que com certeza os advogados recomendaram tem condições para colocar o banco a funcionar normalmente, sem os conflitos em praça pública a que lamentavelmente assistimos no último quase um ano.

Fica para os investigadores de gestão e empresas contar a história de ascenção e queda de um projecto que durante anos fez o nosso orgulho.

Na CMVM, Banco de Portugal e Ministério Público estão as próximas difíceis tarefas de apurar o que se passou e quem foi o responsável. Será que o vão fazer?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O BCP...ainda

O BCP “delineou uma operação bem montada e bem urdida para escapar ao controlo das autoridades” “que impediu" os supervisores de a detectarem.“O BCP montou essas operações e envolveu-as em informações erradas”, o que torna este processo muito grave”
Ministro de Estado e das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos no Parlamento dia 29
A ler no Negócios e Público.
O caminho seguido pelas operações de compra de acções próprias através de sociedades com sede em paraísos fiscais ainda está a ser desvendado pelas autoridades de supervisão. Um autêntico labirinto de engenharia financeira que, ao que parece, acabou em sociedades imobiliárias.
Lamentavelmente Jardim Gonçalves parece terminar a sua carreira sem honra nem glória.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Supervisão bancária e dos impostos

A audição do governador do Banco de Portugal no Parlamento sobre o caso BCP revela por parte dos paridos de oposição PSD e PP uma insensatez lamentável.

O BCP visto (mal) do Parlamento que aqui escrevi seria a melhor abordagem para um tema que devia ser evitar pequenas vinganças pessoais.

O sistema financeiro enfrenta problemas demasiado sérios para os responsáveis políticos se manterem no universo mesquinho de acertos de contas.

As explicações de Vítor Constâncio pareceram-me bem claras. É impossível detectar irregularidades quando o outro lado as quer esconder. Depois de terem sido descobertas em 200 e 2001 pelo banco central, maior terá sido o esforço para esconder as novas 17 sociedades em paraísos fiscais que detinham acções do BCP.

Isto não significa que a área do supervisão do Banco de Portugal não precise de ser melhorada. A ausência de incidentes e de acompanhamento público criou condições para a supervisão reduzir os seus critérios de auto-exigência. O que não aconteceu com o fisco.

Dizem-me, da banca, que a actuação dos técnicos de supervisão do Banco de Portugal é menos profissional e mais arrogante que a dos fiscais das finanças. Com uma diferença ainda mais grave: sabem menos do negócio bancário que os fiscais das finanças de fiscalidade.

É tempo de mudar. Se é verdade que o escrutínio público é difícil de fazer na supervisão bancária - pela discrição que a actuação exige para evitar problemas maiores -, é preciso arranjar outros mecanismos que forcem o profissionalismo e a competência dos profissionais da supervisão bancária do Banco de Portugal.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

E na quarta assembleia geral...o BCP

O BCP começa hoje um processo de estabilização.
Não termina hoje a instabilidade, mas inicia-se hoje um caminho para solucionar a crise em que entrou.
Nada garante que não fará mais vítimas.
Para já sabemos que está indirectamente nas mãos do Estado português. Eventualmente angolano e até chinês.
Onde há hoje afinal dinheiro? Não nos podemos esquecer que Europa e América vivem na armadilha da sub-prime.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Campos e Cunha e o BCP

O ex-ministro das Finanças e ex-governador do Banco de Portugal escreve hoje um importante artigo no Público sobre o 'caso BCP' que está sintetizado aqui (sem link disponível no Público).

Campos e Cunha põe o dedo em algumas feridas:
  1. Como foi possível a auditora KPMG não ter dado conta de nada, dando o seu acordo às provisões de 200 milhões de euros? De facto, como escrevi aqui, no caso Enron foi a auditora que até acabou por morrer uma das principais questionadas quanto à informação dada pelos relatórios e contas.
  2. Os dados que provam a existência de irregularidades - que não se sabem bem quais mas podem ser transacções em bolsa através de sociedades em paraísos fiscais posteiores aos aumentos de capital - foram entregues por pessoas ou pessoa que pertencem ao topo da hierarquia do BCP a um accionista em vez de o fazer ao Banco de Portugal ou à CMVM.

O BCP e a Enron

"Não aceito que se tente debilitar as autoridades e manifesto a minha confiança no Banco de Portugal, na CMVM e no DIAP na investigação de casos gravíssimos no sistema financeiro",
José Socrates na Assembleia da República, a 9 de Janeiro

Assim respondeu o primeiro-ministro às criticas e desafios que surgem quer do PSD como do PP e Bloco de Esquerda quanto à responsabilidade do Banco de Portugal no que se passa no BCP.

No domingo passado o ministro das Finanças, menos hábil e até infeliz na metáfora que usou, deixou a mesma mensagem:
"Nao faz sentido, quando uma casa é assaltada que se corra atrás do polícia, faz sentido que se corra at´rás do ladrão. (...) É injustificável que se procure fragilizar essas instituições atacando-as de forma injustificada. A quem serve questionar a independência das autoridades quando elas estão a desenvolver um processo de investigação?"

De facto, a quem serve desestabilizar o Banco de Portugal, aquele que tem sido o principal alvo de críticas no 'caso BCP'?

Todos sabem ou têm obrigação de saber que as autoridades de supervisão podem ser facilmente enganadas. Daí os requesitos de idoneidades para a lideranças de empresas e especialmente de sociedades financeiras.

Como bem lembrou alguém, não foram as autoridades, neste caso a SEC, que descobriu o que andava a fazer a Enron aparentemente com a cobertura dos auditores, a Arthur Anderson que acabou por deseparecer por causa disso.

Não me lembro de, na altura, se ter dito nos Estados Unidos, que se as autoridades não sabiam deviam saber. Como é habitual, foram mais pragmáticos e procuraram antes perceber como se poderia melhorar a legislação para que a informação fosse mais transparente.

Esse sim seria um debate construtivo para o país, que os deputados deveriam promover na Assembleia da República. Responder à pergunta: será que a legislação pode ser melhorada no sentido de evitar novos casos como o do BCP? De impedir que os bancos comprem as suas próprias acções sem ninguém o saber, aprsnetando um capital próprio que, afinal, não têm?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

BCP e Vítor Constâncio

As declarações à RTP do governador Vitor Constâncio.

Escolho a última parte, com sublinado meu:

"(...)Falarei [das investigações no passado] mais longamente, certamente quando for à Assembleia da República. Mas o facto é que as irregularidades mais importantes e que estão agora sobretudo em causa resultam de factos que foram ocultados ao Banco de Portugal em anteriores inspecções, que aliás se dirigiam a outros aspectos da actividade do BCP. O Banco fez tudo o que era necessário para garantir do ponto de vista dos rácios de capital e de solvabilidade e da contabilidade do BCP que tudo ficasse reflectido naquilo que foi investigado no passado. Os factos que agora vieram a lume por uma denúncia interna são factos novos e que na altura foram ocultados às inspecções do Banco de Portugal."

Chama-me à atenção a questão da "denúncia interna".

Será que já se sabia que as informações chegaram a público por via de uma denúncia interna ao BCP?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

As marcas de 2007

Nestas últimas horas de 2007 é tempo de olhar o tempo que passou. Eis as minhas escolhas:

Para Portugal

O gestor do ano:

Presidente da comissão executiva da Galp Energia, Manuel Ferreira de Oliveira (foto da Agência Financeira).
Depois de ter sido privatizada a 5,81 euros para os investidores em geral em finais de 2006, a Galp Energia mais que triplicou em pouco mais de um ano, encerrando 2007 em 18,39 euros.
Um reflexo de uma estratégia que optou por manter activos como as plataformas de prospecção de petróleo com os resultados positivos que foram anunciados este ano.
Marcou a primeira Cimeira entre a UE e o Brasil que decorreu em Lisboa a 4 de Julho com um acordo com a Petrobras na área dos biocombustíveis.E na Cimeira UE-África estabeleceu um acordo com a Líbia e com Moçambique.
Ferreira de Oliveira é um profundo conhecedor do sector da energia como se revela em todas as suas conversas. E na entrevista que me deu em Agosto.

Os acontecimentos do ano:

A assinatura do Tratado de Lisboa, com todas as criticas que se possa fazer, coseguiu-se ultrapassar o impasse do Tratado Constitucional. O novo ano dirá se com sucesso.

O conflito interno no BCP, um acontecimento completamente inesperado a revelar um BCP que desconhecíamos e a expor as fragilidades do nosso capitalismo.

No Mundo

O Gestor do Ano

O presidente da Apple Steve Jobs pelo lançamento do iPhone. Ainda sem presença em Portugal.

Depois do iPod, que salvou a Apple da falência, o iPhone lançou de novo a rival da Microsoft para a liderança.Os Mac continuam bem vivos como computadores de culto para quem vive no universo das artes e do design. Os primeiros aliás a descobrir que agora não queremos apenas computadores, queremos peças elegantes.

O acontecimento do ano

A crise de crédito no segmento hipotecário de alto risco - sub-prime - com efeitos ainda desconhecidos e que vão marcar inevitavelmente a vida económica de 2008.
Um acontecimento revelador das fragilidades de supervisão do sistema finaceiro e da intrincada rede que existe nesse universo.
Um exemplo da metáfora da teoria do caos, com o bater das asas de um borboleta a desencadear um tsunami com ondas que ainda não acabaram.
O mais chocante foi ver presidentes de bancos a reconhecerem que não conheciam as perdas que estavam a ter.
E ver como o UBS se recusou a financiar a Swiss Air mas aplicava recursos em supostos activos suportados por financiamentos a famílias norte-americanas com baixa classificação de crédito.
A seguir com atenção em 2008.

FELIZ ANO NOVO

Caso BCP - Banco de Porugal esclarece

O Banco de Portugal acabou de emitir um comunicado esclarecendo que nunca inibiu nenhum elemento da administração do BCP de se candidatar aos órgãos sociais, reagindo assim aos comentários que têm sido feitos sobre o assunto.

O problema é que o Banco de Portugal deixou instalar-se a convicção, desde 20 de Dezembro, de que tinha recomedado que nenhum administrador do BCP entre 1999 e 2007 se candidatasse a órgãos sociais do banco. No mesmo dia soube-se que Filipe Pinhal abandonava a sua candidatura.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Miguel Cadilhe avança para o BCP

O ex-ministro das Finanças Miguel Cadilhe entrega ainda hoje uma lista para os órgãos sociais do BCP.

Uma razão, entre outras, que levou ao aparecimento desta lista foi o facto de o Banco de Portugal ter recomendado - dia 21 de Dezembro com manchete no Expresso - que nenhum administrador de 1999 a 2007 integrasse órgãos sociais do BCP e nesta última sexta-feira ter dito que afinal não é assim, como se pode ler aqui, com a transcrição do prágrafo que se segue:

"(...)Reafirma-se também que, até à conclusão dos processos legalmente exigíveis, nenhum membro dos órgãos sociais do BCP está actualmente inibido de concorrer ou exercer funções no sistema bancário, apesar dos riscos que decorrem do eventual envolvimento nos factos sob investigação que se vier a apurar."

Formalmente não se pode dizer que o Banco de Portugal recomendou que ninguém que estivesse estado na administração do BCP podia integar listas, como se pode ver pelo comunicado desse dia 21 de Dezembro. Mas nunca o Banco de Portugal desmentiu essa ideia.

A lista de Santos Ferreira para o BCP

Vale a pena ver a lista do BCP a votar na assembleia geral de 15 de Janeiro que vai ser liderada por Carlos Santos Ferreira.

O esforço de equilíbrio é notável.