terça-feira, 30 de setembro de 2008

Calma ...A Europa está a actuar

Calma é a actuação sensata e racional neste momento. Atentos mas calmos, sem decisões precipitadas que agravem ainda mais a situação.

Os países europeus, estou convencida com base no que se passou até agora, não vão deixar cair nenhum banco. Os nossos depósitos estão seguros na sua totalidade e não apenas nos 25 mil euros garantindo pelo Fundo de Garantia de Depósitos.

O governo português não deixará cair nenhuma banco que esteja sob a sua responsabilidade tal como o já fizeram o Reino Unido, a Alemanha, a Dinamarca, a Bélgica, a Holanda, o Luxemburgo e a Islândia. Todos eles salvaram, com modelos variados, os bancos em dificuldades, dos grandes e transnacional como o Fortis - aos mais pequenos.

Não ter calma é apenas tornar a situação mais grave e mais difícil e cara de resolver.
Pelo meu lado, mantenho-me cliente dos mesmos bancos, que são privados.

É preciso olhar para a informação com sentido critico. A administração Bush está a ser tão irresponsável na gestão desta crise como irresponsáveis foram alguns dos dirigentes de instituições financeiras no passado.

Recomendo a leitura deste artigo de opinião do El Pais on
Jose Ignacio Torreblanca compara o medo de hoje no sistema financeiro com o medo também gerado por Bush no passado recente com as armas de destruição maciça no Iraque.

Neste momento, e depois do que se passou ontem com o plano chumbado pelos próprios republicanos, é legítimo questionar se toda esta dramatização por parte da administração Bush aliada ao pedido de um cheque em branco ao tesouro que, conhecendo como deve conhecer os conservadores, teria grande dificuldade em passar em qualquer situação e muito menos em fase eleitoral, não teve outro objectivo se não ... o acto eleitoral.

Alguém acredita que com a violenta informação que se costuma ler nos jornais norte-americanos sobre as fortunas salariais e em prémios dos gestores do sector financeiro o cidadão comum, a classe média, concorda com um cheque em branco de 700 mil milhões de dólares a ser gerido por um ex-gestor de um banco de investimento?

A Europa está a ser muito mais sensata. Em véspera de eleições, a administração Bush, se quisesse realmente resolver o problema ou pelo menos não correr o risco de o agravar, deveria ter seguido o exemplo europeu - como aliás o esteve a fazer no último ano: tratar cada caso como um caso mas sem comprar o que não presta. A solução que melhor satifaz o não incentivo de 'moral hazard' é entrar no capital dos bancos, retirando o poder a quem não os soube gerir.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Mais um dia de loucura financeira

Dia de loucura. A terceira semana de instabilidade prossegue com o furacão a entrar na Europa e os Estados Unidos bloqueados.

O Plano Paulson não foi aprovado pela Câmara dos Representantes. É uma derrota para Bush. Pode ser uma vitória para os Estados Unidos. Falta ao plano a punição dos infractores que a Europa está a fazer sem plano.

O furacão nascido na América chegou à Europa. Foi o pior dia para a Europa desde que a crise se iniciou em Agosto do ano passado.
Bolsas em acentuada queda, euro a desvalorizar... e a agora a vez da banca europeia a ser salva, sem Plano Paulson mas também com a mão no bolso dos contribuintes.

Em 24 horas os países europeus - Reino Unido, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Islândia e Alemanha gastaram 69,37 mil milhões de euros, quase metade do PIB português, para salvar quatro instituições financeiras

O Fortis, está a ser parcialmente nacionalizado (49%) pelos países de origem, Bélgica, Holanda e Luxemburgo, com uma injecção de 11,2 mil milhões de euros.
O Bradford & Bingley foi nacionalizado.
A Islândia nacionalizou o Glitnir
A Alemanha intervencionou o Hypo Real Estate com outro bancos.

domingo, 28 de setembro de 2008

Bradford - o segundo no Reino Unido


O Bradford & Bingley que aqui tem as suas contas é mais um interessante caso de "mistério" e revelador do pouco que revelam as contas. A AIG fez 'share buybacks' (compra de acções próprias),
1) o Bradford distribuiu um dividendo intercalar com acções:

Approval was given by shareholders at the EGM on 17 July 2008 for the interim dividend to be paid in shares. The Board has approved an interim dividend amount of £43.4m, currently equivalent to 3.0p per share for distribution on 6 October 2008 to shareholders on the register at the close of business on 3 October 2008.

2) as contas revelam um lucro de 70,2 milhões de libras no primeiro semestre mas prejuízos de 26,7 milhões de libras quando se leva em consideração a desvalorização de activos, diz o banco, fundamentalmente títulos do Tesouro:

Underlying profit before tax of £70.2m.
Statutory loss before tax of £26.7m, mainly reflecting losses on Treasury assets.
O que nos dizem afinal as contas sobre os riscos dos bancos ou mesmo das empresas cotadas?

Regulação renovada e incentivos




Aqui Nelson Filipe Patriarca refere-se a uma análise dos economistas Daniel Gros e Stefano Micossi.



O e.economia entrevistou Daniel Gros e o Jornal de Negócios fez as contas para Portugal na edição de 24 de Setembro, obtendo os resultados que se pode ver nos quadro.
De acordo com estes cálculos ( que para Portugal usam o capital próprio), a banca portuguesa não está muito alavancada, face aos valores que Gros apresenta para alguns bancos internacionais.
Este indicador, que é muito mais simples que os exigidos pelos reguladores, tem a grande vantagem de poder ser calculado com a informação que está disponibilizada para todos nos relatórios e contas - o que não acontece com os rácios de solvabilidade que têm de ser ponderados pelo risco dos activos que não é disponibilizado e, como se vê nesta crise, esse risco é ... não o que quisermos mas depende de muita subjectividade.
Uma ideia - num regresso à simplificação da contabilidade - seria impor um limite máximo, um tecto, para este rácio entre activos e capital próprio.
Todos o poderiam entender - é tão simples como o limite do défice de 3% - o que tinha a vantagem de i) oferecer aos depositantes um outro critério de escolha do seu banco ii) de colocar também nos depositantes a escolha dos riscos que queriam correr; iii) indexar as garantias dos depósitos ao grau de alavancagem - quanto menor maior a garantia o que atraíria os depositantes para os menos alavancados e incentivava os bancos a correrem menos riscos.
Os reguladores nunca conseguirão, sozinhos e sem denúncias, conhecer o que os bancos andam a fazer de errado. E nem vale a pena pensar que se resolve o problema criando um supervisor para as agências de rating.
A regulação tem de ser desenhada consagrando um quadro de incentivos - no seu sentido económico e não financeiro.

sábado, 27 de setembro de 2008

Plano Paulson III


A dimensão do Plano para... a diemnsão dos EUA: Quanto é 700 mil milhões de dólares.


A extraordinária capa do Economist: porque o dinheiro sairá do mundo. E porque desendividar a América é reduzir os recursos que (supostamente) existiam no mundo.

O Fortis - banco franco-belga com ligações ao BCP - a ser atacado pelo vírus.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Plano Paulson II

Será o Plano Paulson mesmo necessário face ao que já se passou nos últimos dias?

Warren Buffett injectou 5 mil milhões de dólares na Goldman Sachs mostrando que os investidores privados já estão interessados nos "activos tóxicos". Ou Buffett entrou já a antecipar o que pode ser o Plano Paulson - mais um contributo para inflamar Wall Street e lançá-la a caminho de mais uma crise financeira?

Existindo Plano Paulson é preciso garantir que os accionistas perdem efectivamente dinheiro que acumularam indevidamente ao longo dos anos. Caso contrário estamos a fazer exactamente o que Greenspan fez no passado mas com dinheiro dos contribuintes - nosso também porque para financiar a dívida norte-americana ou as famílias dos EUA consomem menos ou alguma parte do mundo - mais uma vez os chineses? - terão de poupar ainda mais.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Plano de Paulson

O Plano Paulson de 700 mil milhões de dólares, estou em crer, acabará por ser aprovado. Os congresistas querem apenas:
1. Medidas mais directas de apoio às famílias credoras das suas casas.
2. Supervisão sobre o Tesouro na execução do Plano
3. Maiores exigências aos accionistas dos bancos.

Ler aqui .
Não parece pedir de mais, especialmente a supervisão do Tesouro e maiores exigências aos accionistas - já que o apoio às famílias acaba por ser indirecto. Para que este Plano não se transforme numa espécie de prémio de mau comportamento.

Tudo o que se está a passar ainda torna mais incomprrensível a falência da Lehman Brothers.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O mercado(?) dos combustíveis

O petróleo subiu e os combustíveis desceram. Onde? Em Portugal.

Tenho de dar a mão à palmatória e reconhecer que o ministro Manuel Pinho sabia que a sua pressão iria ter efeito.

As empresas, com especial relevo para a Galp em que confiámos pela racionalidade que os seus argumentos tinham, vêem a sua credibilidade bastante afectada.

Se acreditasse em bruxas diria que andam a tentar tramar o mercado.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O colapso explicado

O funcionamento do mercado explicado pelo FT.

Momento de descontracção


Com um obrigada a Rafael eis um momento de alívio - este que se vive hoje - após uma semana de terror financeiro - é um jogador do Manchester Rui Fernidand reagindo à acção do Chelsea agora treinado por Scolari.
O desespero dele terá mais a ver com o jogo do que com o AIG

A propósito da (falta) de regulação II

A ler Luís Aguiar-Conraria - nada como simplificar antes de analisar o que é complexo. A regulação não é fácil, mas pode de facto ter sido aliviada em excesso em alguns países.

Há ainda a hipótese de defender o que (quase) defende Buiter - limitar ao mínimo o negócio bancário privado:
"Once the state underwrites the deposits or makes alternative funding available as lender of last resort, deposit-based banking is a license to print money.
That suggests that either deposit-banking licenses should be periodically auctioned off competitively or that depostit-taking banks should be in public ownership to ensure that the tax payer gets the rents as well as the risks."


Diria, agora com menos fogos, que o capitalismo não está morto - "a notícia da sua morte é um pouco exagerada" - está a crescer, a tornar-se mais sólido, a conhecer melhor os seus limites - o que o mercado faz melhor e o que não faz.

A ler também no FT O Capitalismo em convusão (...)

A propósito da (falta) de regulação

A Reserva Federal aceitou o pedido da Morgan Stanley e Goldman Sachs para serem bancos regulados.
O comunicado da Reserva Federal .
As notícias no FT e no Negócios.

Um contributo para o debate fracasso da regulação ou falta de regulação?
Diria que estamos perante as duas coisas:
- fracasso - porque as autoridades perseguem sempre a realidade, nunca a antecipam, e a inovação financeira foi demasiado rápida para se perceber os seus efectivos efeitos (embora tenha a opinião pessoal baseada no que fui assistindo nos últimos anos que existiam vários sinais de alerta)
- falta de regulação - com especial relevo nos Estados Unidos onde se deixou fora da área de regulação a banca de investimento e muitas instituições que concediam crédito (especialmente hipotecário). Um caminho que a Europa nunca seguiu.

domingo, 21 de setembro de 2008

AIG - do excesso de capital à quase falência

O AIG, agora parcialmente nacionalizado e com uma linha de apoio de 85 mil milhões de dólares, dizia o ano passado que tinha capital ... a mais.
A 14 de Novembro de 2007 anunciou uma compra de acções próprias no montante de 8 mil milhões de dólares com o seguinte argumento: depois de ter perdido a nota máxima de AAA (o mínimo de risco) considerava que os benefícios deste baixo risco não eram suficiente para compensar os custos e que iria passar a trabalhar com menos capital.
Dia 29 de Fevereiro deste ano disse que tinha capital a mais no montante de 19,5 mil milhões de dólares.
Dia 16 de Setembro foi-lhe concedida uma linha de crédito de 20 mil milhões de dólares.
Dia 17 de Setembro é parcialmente nacionalizada e precisa de 85 mil milhões de dólares através da Fed que por sua vez vai buscar dinheiro ao Tesouro.

De excesso de capital para a quase falência. Que confiança podemos ter nas contas que pomposamente as empresas divulgam? - Cada vez mais opacas, é verdade.

Eis mais uma área para simplificar - as contabilidade. Regressando ao básico, deve haver e resultados. Ah, sim, não é fácil porque os instrumentos financeiros são sofisticados. Pois é preciso simplificá-los. Se nem quem dirige as empresas sabe o que tem e o que deve...

Pode ser um pouco simple de mais - mas vale a pena pensar em tornar as contas menos opacas. A AIG teve aparentemente um problema de liquidez. Mas esse risco também se desconhecia.

A pressão de Paulson


"The credit markets are still very fragile right now and frozen,"(...) "We
need to deal with this and deal with it quickly."(...)"It pains me tremendously
to have the American taxpayer put in this position but it is better than the
alternative."
Henry Paulson, no Meet the Press na CNBC


O plano Paulson pede ao Congresso 700 mil milhões de dólares mas o custo global de resolução dos problemas financeiros pode atingir 1,8 biliões de dólares, via CNBC.

Paulson, Brady e Ásia

As receitas acabam por ser basicamente iguais desde que as economias se financializaram com o excesso de recursos que os países menos desenvolvidos produtores de petróleo, de produtos industriais (China) e aforradores (como o Japão ou mesmo a Europa) começaram a aplicar as suas poupanças nos mercados internacionais, diga-se, Estados Unidos:
  • Anos 70 e 80 - A primeira salvação dos bancos dos EUA - a acentuada subida do petróleo constituiu uma brutal transferência de recursos dos países consumidores para os produtores que usaram essa "liquidez" não para investir no seu desenvolvimento mas para se endividarem e realizarem aplicações no mercado financeiro norte-americano. A queda do petróleo no início dos anos 80 correspondeu ao refluxo desses recursos e à Crise da América Latina. Bancos norte-americanos estavam "cheios" de obrigações emitidas para financiar a dívida da América do Sul e foram salvos pelo designado Plano Brady que em conjunto com o FMI e Banco Mundial basicamente compraram essa dívida e venderam-na depois com desconto, as Brady Bonds. Assim nasceu a primeira história, demasiado grande para falir.
  • 1997 - A crise no sudeste asiático que lançou promissoras economias como Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia e Malásia no caos com início em Julho de 1997 com o colapso do baht tailandês. Nesse ano, a assembleia anual do FMI foi em Hong Kong e lembro-me da tensão entre esses países, especialmente a Malásia, e a banca norte-americana. George Soros foi violentamente atacado pelo presidente da Malásia, o que o obrigou a fazer uma conferência de imprensa a explicar-se - todos tinha demasiado presente o que Soros tinha feiro ao Banco de Inglaterra na crise do mecanismo cambial europeu em 1993. O apoio à banca norte-americana veio depois, mas o FMI foi obrigado a reflectir e a corrigir três aspectos:

i) Não chega olhar para o défice público, é preciso olhar também para a
balança de pagamentos e sobretudo para o seu perfil de maturidades de
financiamento - essas economia dependiam de financiamentos de curto prazo;

ii) a livre circulação de capitais não é boa em termos absolutos e não sobrevive
com taxas de câmbio fixas - como aliás já se tinha visto na crise de 1993 no
mecanismo cambial europeu;

iii) os programas de estabilização têm de levar em
conta as dores da população para que uma crise financeira não se transforme numa
crise política.

O FMI nunca mais foi o mesmo. Paul Krugman foi o primeiro a dizer que aquelas economias era Tigres de Papel

  • 1998 - A crise russa e de alguns países da América do Sul - O 'hedge fund' Long Term Capital Management colapsa por exposição à dívida pública russa. O fundo era gerido por um prémio Nobel e por um ex-administrador da Reserva Federal. O ambiente desse ano na assembleia geral do FMI em Washington era de velório. Mesmo assim a Reserva Federal salvou alguns bancos gastando cerca de 4 mil milhões de dólares a salvar instituições financeiras - a segunda história, demasiado grandes para falirem

Vivemos a terceira história demasiado grandes para falirem.

A semana negra - impressões



Foi uma semana negra para o sistema financeiro global (a imagem é tirada da Economist - Kal cartoon)


Confesso que me assustei na terça e quarta-feira quando vi:
  • a taxa de rendibilidade dos títulos do Tesouro norte-americanos a 3 meses descerem para valores da ordem dos 0,02% ( dia 17 de Setembro, quarta-feira) - taxas de juro de estado de guerra, não se viam desde a II Guerra Mundial

  • a libor do dólar - a taxa de juro de referência dos empréstimos dos bancos uns aos outros - salta para valores da ordem dos 6% (quando os valores médios da semana anterior para o 'overnight' estava nos 2,1%)

  • a possibilidade de se assistir à queda da Goldman Sachs e Morgan Stanley, após o fim da Lehman e de a Merril ter sido comprada pelo Bank of America

  • o facto de a intervenção/salvação do American International Group não ter gerado maior confiança dos bancos uns nos outros.

  • a necessidade de fundos por parte da Reserva Federal para fazer face ao crédito a conceder ao AIG

Respirei de alívio com:

  • a intervenção concertada dos bancos centrais na quinta-feira dia 18 de Setembro no montante e 180 mil milhões de dólares

  • o anúncio de um plano de limpeza dos "activos tóxicos" por parte da administração Bush, no montante de 700 mil milhões de dólares e neste momentos mais claro como se pode ler aqui.

Foi uma semana louca e tristemente histórica para o mundo financeiro. Foi uma semana de apagar fogos. Nem vale a pena colocar a hipótese de não intervenção - os custos de não intervir, de não salvar quem fez disparates era de tal forma brutais com efeitos em pessoas inocentes que acreditaram no sistema que não existe a opção "não intervir".

O mais grave efeito desta intervenção é, como todos sabem, o "moral hazard". A dimensão deste efeito depende:

  • do modelo de salvação: se os accionistas perderem tudo e os gestores também não se estará a beneficiar tanto o infractor.

  • das lições que se retirarem do que se passou para a adopção de medidas futuras.

Caso não se adoptem medidas estruturais, sinónimo de um novo quadro regulamentar, mais eficaz e transparente, das instituições financeiras esta não será a última crise mas apenas mais uma das que tem afectado a banca norte-americana desde os anos 80. Sempre com a próxima ainda pior que a anterior.

O capitalismo não está obviamente ameaçado. Mas ficou bem claro que os mercados financeiros não tendem para o equilíbrio e que sofrem de graves falhas de mercado.

Como já se tinha visto nas crises da dívida da América do Sul, dos excessos no Sudeste asiático e Rússia nos anos 90, na euforia das dot.com também em finais de 90 início do século XXI, na falsificação das contas em 2001 (casos Enron e WorldCom) e agora na crise sub-prime.


Em todas elas - excepção para a sub-prime que não conhecemos o desfecho - salvaram-se instituições financeiras.

Vale a pena ler e perceber como ainda é muito difícil perceber o que fazer:


Os comentadores do FT cada vez mais parecidos com os Ladrões de Bicicletas, o I e o II

Pedro Lains

de onde chego a Paul Krugman e Freakonomics


na Causa Liberal Ciclos Económicos: Hayek

e ainda para investidores no Especulador Prudente Dia Histórico e o Fim do Bear Market

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Plano Paulson

O plano Paulson ainda não é totalmente conhecido mas deverá corresponder à compra de activos desvalorizados e não à intervenção em instituições.

Um modelo semelhante foi usado nos Estados Unidos,
  • nas crises da 'saving and loans' e até na grande Depressão
  • no caso da América do Sul, se bem me lembro, nos anos 70 e 80.

Um modelo também seguido em Portugal quando se criou uma empresa - não me lembro neste momento do nome - que comprou crédito mal parado da banca portuguesa poucos anos depois do 25 de Abril e pouco tempo antes do início da privatização da banca nos anos 80.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

E as medidas estruturais chegaram...

A administração Bush está a equacionar criar uma agência para apoiar as instituições financeiras com problemas e colocar recursos/liquidez no mercado de forma permanente. Um modelo semelhante a outras crises passadas.

O que fazer com o dinheiro?

Por aqui está manifestada a preocupação com o que fazer com o dinheiro.

  1. Não me parece que valha a pena entrar em pânico - o pânico pode alimentar a crise para além do razoável.- A banca portuguesa poderá precisar de aumentos de capital. Mas para já não parece estar a perder dinheiro com o que caiu até agora. Tinha poucos activos desses.
  2. As autoridades perderam a vergonha ideológica - depois dos Estados Unidos, o símbolo do mercado, ter avançado com nacionalizações para salvar companhias da falência, os europeus já falam disso mais à vontade. Veja-se ontem Gordon Brown - afirmou que se fosse preciso avançaria com nacionalizações. Lembram-se da resistência em ajudar o NorthernRock o ano passado? Onde isso já vai.

Calma financeira ... até ver

Após três dias de alta tensão em pânico geral, parece ter regressado alguma calma aos mercados com a decisão dos bancos centrais de injectar - BCE, Reserva Federal e bancos centrais do Japão, Canadá e Suíça - 180 mil milhões de dólares.

As taxas de juro de curto prazo estão a descer depois dos níveis altos de ontem nos Estados Unidos. Os bancos já podem ir às linhas de cedência dos bancos centrais, ficando menos sujeitos a confiarem uns nos outros - a pouca confiança que têm reflectiu-se bem nos últimos dois dias com o disparo da Libor do dólar.

Mas os investidores continuam a fugir para os activos seguros.
Depósitos, títulos do Estado e ouro ... afinal os inteligentes regressam aos produtos dos reformados e dos analfabetos financeiros. Grandes lições que esta crise nos está a dar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Pânico financeiro

Parece que estamos a viver o Armagedon Financeiro.

A salvação do American International Group (AIG) - demasiado grande para falir com um bilião de dólares de responsabilidades e uma teia global - não acalmou os mercados.

A bolsa de Nova Iorque em queda com o Morgan Stanley e Goldman Sachs a afundarem vítimas da convicção de que será os próximos.

O Tesouro dos Estados Unidos teve de injectar dinheiro na Reserva Federal - tudo indica, por causa da linha de 85 mil milhões de dólares que está a garantir à seguradora AIG.

O mercado monetário norte-americano está bloqueado - as injecções de liquidez não conseguem acalmar as desconfianças que as instituições financeiras têm umas das outras, ninguém parece querer fazer negócio com ninguém.

Tempos violentamente interessantes.
Os fogos acendem-se por todo o lado.
No rescaldo é preciso pensar nos erros e retirar as devidas ilações (já existem pistas muito interessantes - neste momento não consigo partilhar - a confusão informativa também é grande).

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Fed mantém taxas - mudanças

A Reserva Federal manteve as taxas de juro. Pode ter feito bem - descer taxas de juro para resolver o stress do mercado deu nisto que estamos a assistir.

A AIG continua sem solução. Os mercados estão mesmo muito nervosos. As taxas de juro internacárias disparam com a crescente falta de confiança.

A falência da AIG pode ser um brutal terramoto.

Bolsa, imóveis e salários

Uma cronologia da crise sub-prime com origem na redução das taxas de juro em 2001.

Os bancos centrais terão de reequacionar as bússolas que usam para garantir a estabilidade de preços. No mundo financeiro em que vivemos os preços dos activos são mais mortais para a economia que os salários - como se tem visto.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Lei e Prática

O Jornal de Negócios de hoje revela os primeiros resultados da aplicação dos "Princípios de bom governo das empresas do sector empresarial do Estado", um diploma aprovado em Fevereiro de 2007 .

Vale ainda a pena ler Regras Bizantinas de João Cândido da Silva sobre esse tema.

R de Recessão

As previsões intercalares da Comissão Europeia não são nada animadoras para as perspectivas da economia portuguesa. A maioria dos clientes das nossas exportações se não estão em recessão - entendida como queda da quantidade de bens e serviços produzidos - estão a produzir abaixo da sua capacidade - também isto uma forma de recessão.

O ministro das Finanças afirma que "é prematuro falar de uma recessão na Europa" Naturalmente mais sensato, não coloca de parte a recessão e muito menos entra no discurso irrealista do ministro da Economia que agarra nos números do INE para dizer que estamos umas décimas acima deste e daquele.

É muito difícil evitar a recessão em Portugal se as grandes economias da zona euro não reanimarem. A única vitamina que vejo neste momento é a queda dos preços do petróleo - uma quebra que seja superior à valorização do dólar.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Fannie, Fredie e a CGD

Vale a pena ler Pedro Lains a propósito da nacionalização da "Fannie e Freddie". Em linha com o que hoje escrevo no Negócios mas com a interessantíssima ligação ao caso português que é a CGD - a privatizar segundo defende António Borges ex-Goldman Sachs e, como tal, ex-colega de do secretário do Tesouro norte-americano Henry Paulson, hoje um autêntico socialista.

Claro que para avaliar os ganhos e perdas da privatização da Fannie e Freddie é preciso contabilizar o crescimento que gerou para a economia norte-americana por contraponto ao que teria gerado caso se tivesse mantido pública - subtraindo obviamente o valor que agora está a ser gasto para as salvar. Contas impossíveis sem pressupostos que serão sempre marcados pelas convicções de cada um.

Como contribuinte não gostaria de ver o meu dinheiro a salvar sociedades financeiras que não foram devidamente reguladas no passado - apesar de os meus impostos terem pago aos reguladores.

Privatizar sim mas com um Estado forte, com poder sobre quem regula. Um Estado com um poder superior aos regulados parece um sonho até mesmo nos Estados Unidos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Fannie e Freddie - que mercado!

A nacionalização das sociedades de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac têm de nos obrigar a reflectir.
Uns ganham milhões, afundam sociedades que, se fossem ao fundo, afundariam o país e saem com os bolsos cheios do dinheiro ... dos contribuintes.
Negócios destes todos queremos - lucros privados, prejuízos públicos.

Ver Paulson, que veio da Goldman Sachs, envolvido nesta nacionalização é uma ironia do destino - um defensor do mercado que afinal é quase comunista.

O mercado levou um golpe de (quase) morte no domingo dia 7 de Setembro quando a administração Bush resolveu nacionalizar Fannie e Freddie. E as bolsas por todo o mundo festejaram uma nacionalização.

Mercado? Qual mercado?

Os mais e menos na Polónia e Eslováquia

A visita do Presidente da República à Polónia e Eslováquia na semana passada, uma opinião do que assisti:

- Pontos fracos:
  • A falta de uma visão para a economia portuguesa do Ministério da Economia - representada pelo secretário de Estado Castro Guerra na visita do Presidente da República à Polónia e Eslováquia. Intervenções sem um foco, uma orientação. Que contrastaram com visões claras do outro lado, dos polacos e dos eslovacos.

- Pontos fortes

  • As intervenções do Presidente da República focadas, com uma ideia clara de objectivos.
  • A iniciativa do ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado de realizar um seminário diplomático - juntando empresários e diplomatas - para a Europa Central.
  • A visão demonstrada por alguns empresários com projectos já sólidos na Polónia - Alexandre Soares dos Santos da Jerónimo Martins, António Mota da Mota e Jardim Gonçalves do BCP
  • O reaparecimento do sector industrial - Efacec e Ferpinta, para dar dois exemplos - com projectos claros de internacionalização.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Dinheiro no colchão, a nova aplicação

O HSBC - sim aquele que está a perder milhões nesta crise - revela que os clientes mais ricos estão a tirar o seu dinheiro de acções e obrigações "aplicando" em dinheiro na mão. É a moda do dinheiro debaixo do colchão, ou nos clássicos depósitos.

Quem tiver dinheiro vivo nesta crise, especialmente nesta, encontrará um pouco por toda a Europa ocidental e Estados Unidos muito boas aplicações. Casas para comprar aos montes e a preços de saldo.

Empresas endividadas

Os encargos com juros das empresas cotadas na bolsa portuguesa estão a aumentar. Por subida da dívida e aumentos dos juros. Vinte por cento dos recursos gerados tiveram como destino o pagamento de juros, no primeiro semestre. O pior caso é o da EDP. Uma análise que se pode ler hoje no Jornal de Negócios.